Agenda ESG: sustentabilidade não pode mais ser prática isolada nas empresas

Em 2024, a expectativa é que a agenda ESG (sigla em inglês para se referir a questões ambientais, sociais e de governança corporativa) passe de um período de “euforia e certo amadorismo”, vistos nos últimos anos, e ganhe maior maturidade. É o que acredita o Edson Ricardo Barbero, consultor de empresas e professor da FIA (Fundação Instituto de Administração).

“A agenda ESG se tornará ainda mais necessária e rigorosa. Isto ocorrerá devido à ação combinada de regulamentações nacionais e internacionais, pressões culturais e de stakeholders e influências globais”, afirma Barbero.

Segundo o educador, a entrada em vigor da Resolução nº 59/21 da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) obrigou as empresas brasileiras listadas a reportarem suas métricas ESG. Já a resolução 193, também da CVM, demandará das empresas a adoção do padrão global do ISSB para reporte de sustentabilidade. Além disso, há as novas normas da B3 sobre emissões e composição do conselho de administração das companhias negociados na bolsa de valores; e o avanço da aprovação do mercado de carbono regulado no Congresso.

“Seja por mudanças legislativas ou por uma onda cada vez mais crescente da conscientização ambiental, social e de governança, encontramo-nos diante de um nítida necessidade de readequação”, comentam Yun Ke Lee, sócio-fundador do sócio fundador do Lee, Brock, Camargo Advogados, e seu filho, Kristian Lee, economista e administrador, especializado em Sustentabilidade. Explicam que as normas locais e internacionais podem impactar diretamente nas operações e balanços das corporações e demandar, por exemplo, auditorias independentes, mudando a forma de operar.

Até o papel do CSO (Chief Sustainability Officer, responsável pelas políticas e iniciativas de sustentabilidade de uma organização) deve se transformar. “Ele não deveria mais olhar para temas como materialidade, riscos e segurança, e governança da empresa de forma isolada. É preciso desenvolver um olhar mais orientado para a geração de valor vinda de estratégias holísticas”, comenta Ricardo Assumpção, líder de Sustentabilidade e ESG e CSO para a América Latina na consultoria EY.

Para Assumpção, o nível de maturidade das companhias tende a subir à medida que elas percebam que sustentabilidade ajuda a criar valor à companhia. Estudo publicado em dezembro passado pela EY que identificou uma probabilidade maior (1,8 vezes) de companhias que tomam medidas para enfrentar as alterações climáticas de terem aumento do valor financeiro de suas iniciativas na área em relação às companhias que fazem pouco.

“A tendência é não ter mais o plano de negócios e o de sustentabilidade, mas um só, integrado. As pessoas precisam começar a olhar sustentabilidade não mais isolada, mas dentro de um todo. É uma mudança de chave”, diz o CSO para a América Latina da consultoria EY.

As metas climáticas também tendem a passar por mudanças e exigir mais envolvimento de diversas áreas das empresas. Além das maiores exigências do mercado de capitais por reporte das emissões e detalhamento da jornada de descarbonização, mapeamento de riscos climáticos e de oportunidades, deve crescer a pressão para a adequação dos compromissos públicos de descarbonização a metodologias científicas, como o SBTi (Science Based Target).

“A tendência é de aumento do controle social com relação ao cumprimento dessas metas voluntárias, uma vez que algumas empresas usam esses compromissos como greewashing”, diz Vanessa Pinsky, especialista em Sustentabilidade, citando a exclusão de algumas metas climáticas de quatro empresas brasileiros do SBTi em 2023.

Confira a matéria completa de Naiara Bertão para o Valor.




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